A vida no Exterior

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Não é difícil encontrar alguém que em algum momento da vida pensou em viver fora do país. Apesar da vontade, alguns possíveis imigrantes ainda têm os mais diversos medos, que vão desde a barreira da língua até a questão financeira, passando pela saudade da família e amigos.
Nessa reportagem especial, vamos contar a história de um casal pestanense, que sempre teve a vontade de ter uma experiência fora do país e até mesmo morar longe do Brasil.
Alex (38 anos) e Rucieli Mattos (34 anos), juntamente com a filha Sophie (7 anos), vivem há quase cinco anos em Portugal, residindo atualmente em Montijo, pertencente ao distrito de Setúbal e à Área Metropolitana de Lisboa.


Início
Alex e Rucieli se conheceram há 18 anos e desde a época de namoro ambos tinham o desejo de ter uma experiência de viajar para o Exterior. Com a vontade de realizar esse sonho, o casal então começou o planejamento.
A ideia inicial era ir morar no Canadá, porém, após pesquisas, o casal percebeu que seria inviável no momento devido à burocracia do país com estrangeiros e os custos para tirar o visto. O segundo país a surgir no mapa foi Portugal.
Em uma viagem para a Alemanha em 2016, para realizar um curso de Master em Coach, Alex aproveitou para passar em Lisboa para consultar alguns advogados e saber quais procedimentos deveria
seguir para conseguir o visto.
Entre as “portas” legais para entrar em Portugal, Alex teve que optar por ir como empreendedor e realizar um investimento no país abrindo uma empresa. Com os papeis prontos, o empresário teve que esperar
90 dias para sair o seu visto de residência, que ocorreu em outubro de 2016.
Vivendo há mais de quatro anos em Portugal, Alex conta com um sócio em sua empresa, que está ajudando na expansão para novos países da Europa. A empresa atua na assessoria na área de negócios e projetos, fazendo todo o plano de negócios até realizando serviços
terceirizados.
Olhando o passado, desde a partida para Portugal, nossa redação questionou se o casal faria tudo de novo e da mesma forma, a resposta não poderia ser outra.
“Valeu a pena, faríamos de novo e escolheríamos Portugal. Já tivemos a oportunidade de conhecer alguns países, mas não moraríamos em outro lugar. Portugal tem o custo de vida mais baixo da Europa, além do clima parecido com o do Rio Grande do Sul”, enfatizam.

Em busca de um ideal!
Alex e Rucieli possuem espírito de sonhadores, e hoje desfrutam algo que por anos almejaram. Para que isso se realizasse, tiveram que abrir mão de muitas coisas e aprender a lidar com algumas situações, principalmente com a saudade e a distância.
“Hoje tem o WhatsApp, tem as ligações por vídeo. Não é mais tão  difícil se comunicar. Alguns familiares já foram nos visitar também. A saudade sempre existe, principalmente nas datas festivas. Porém, o que ameniza é falar com a família todos os dias”.
Outro momento difícil que eles relatam é quando se perde algum familiar aqui no Brasil, “porque nessa hora temos que chorar à distância”, situação que já aconteceu com o casal. “Nessa hora tu percebes realmente a distância. Esse é o preço de morar longe”.
Mas para quem tem o mesmo desejo que Alex e Rucieli tinham, o casal deixa uma mensagem de apoio para que cada um siga seus sonhos.
“Eu sempre tive a visão de que devemos construir algo na vida que ficará para os filhos. O que eu digo para minha filha, estude e estude muito. Aproveite o tempo que estiver em casa com os pais, mas também aproveite para estudar, e vai ter uma vivência fora, vai estudar fora. Se você for fazer algum curso, alguma especialização vai fazer fora. Você conhece outras pessoas, outras culturas e poderá aplicar essas experiências na sua vida”, ressalta Rucieli Mattos.
“Quando você vai para outro local você amplia sua visão. Investir em roupa de marca, carro do ano, celular de última geração, tudo isso é despesa. Você tem que investir em si próprio, dar uma oportunidade para teu intelecto, tua cultura. Devido aos acordos que existem hoje entre os países, você estudando na Unijuí você pode fazer um mestrado fora ou um intercâmbio. Você não precisa morar lá fora, mas você vivenciar outra experiência amplia a sua visão, isso não tem preço. Não que eles sejam melhores que nós, mas eles têm coisas diferentes que valem a pena você analisar, daí você traz para sua realidade e isso acaba fazendo com que você faça algo pela sua comunidade”, finaliza Alex Mattos.


Contrastes Brasil/Portugal
O casal retornou pela primeira vez a Augusto Pestana, desde a sua
partida. E ao chegar de volta em sua comunidade, eles contam que
perceberam que o município evoluiu nesses anos.
“Eu estranhei muito. Nós achamos que a cidade cresceu muito durante esses quatro anos, com a expansão de alguns bairros e a construção de novas casas. Achamos que o comércio deu uma melhorada, principalmente na questão das fachadas nos estabelecimentos.
A praça está bonita. Na área da indústria, há novas empresas que se
instalaram às margens da ERS-522”, comenta Rucieli.
Abrindo esse leque de contraste, Alex comenta que Portugal, por ser um país pequeno, tem uma melhor estrutura em quase todas as áreas, como educação, saúde e rodovias, do que o Brasil. O Poder Público português também é menos burocrático que o brasileiro e alguns problemas são resolvidos o mais rápido possível, para que isso não se acumule.
No entanto, o maior problema da Europa em recursos naturais é a água. A visão que o europeu tem do Brasil, é que o país é riquíssimo,
como por exemplo, a nossa região que é forte na agricultura, diferente de Portugal que precisa importar muitos produtos.

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