Uva: uma cultura que sobrevive através de gerações

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Percorrendo as propriedades do interior do município, ainda é possível localizar algumas áreas destinadas ao cultivo de uva, seja para comercialização ou consumo próprio.
Dados do IBGE do censo de 2019, apontam que o município pestanense produziu 490 toneladas de uva, com uma área de 50 hectares destinada a cultura e com rendimento médio de 9.800 kg/ha.
A redação do Jornal Correio Regional, visitou duas famílias que se dedicam ao cultivo da uva. Conheça a família Eberhardt e a família
Manjabosco.

Família Manjabosco

Nessa semana, estivemos visitando a localidade de São Miguel, onde encontramos dois produtores de uvas. No primeiro parreiral encontramos diversas pessoas embaixo dos pés realizando a colheita,
cena típica desta época, os vizinhos ajudam uns aos outros.
A propriedade de Vilmar Luis Manjabosco, ou Maninho como é conhecido, tem 0,78 hectares destinado ao cultivo das uvas, com cerca de 1.500 pés plantados. A atividade da vitivinicultura vem de família, sendo já a terceira geração.
Nesse ano, os parreirais produziram cerca de 9 mil quilos, entre Niágara Branca, Rosé, Rubia e a Bordô, sendo uma excelente colheita
na visão do produtor. Uma parte da produção é vendida em Boa Vista
do Cadeado, que é destinada para a produção de vinho. As uvas bordô destinadas para suco já foram todas vendidas. O restante da produção é transformado em vinho. O produto pode ser encontrado
no Posto Central, em Augusto Pestana. O telefone para contato
é (55) 9.9625-0655.
Conversamos também com Marcos Euclides Manjabosco, proprietário da Cantina Del Nono e que faz parte da Associação dos Produtores de Vinho Artesanal do Rio Grande do Sul. A propriedade de Manjabosco tem 1,8 hectares destinados ao cultivo das parreiras. O produtor relata que a cada ano a produção aumenta. Em 2020, foram colhidos 12 mil quilos de uvas. As variedades cultivadas são: Niágara Branca, Rosé, Rubia e Francês.
O foco da propriedade é na produção de vinho e o que excede é vendido. As uvas estão sendo comercializadas ao valor de R$ 3,00 o quilo para vinho e R$ 3,50 para suco. O produto da Cantina Del Nono pode ser encontrado na Agropecuária Cebolinha ou pelo telefone (55) 9.9983-2596.

Família Eberhardt

Outra propriedade que nossa redação esteve visitando, foi da família Eberhardt, localizada em Ijuizinho, a qual vai para a sua segunda safra de uvas com parreirais cobertos, sistema que protege as folhagens e diminui as chances de perda da produção.
O trabalho é comandado por Graciele, que tem o apoio do seu esposo Nei, além do filho Cristian. A família introduziu esse novo manejo em julho de 2018, com a plantação de mais de 500 pés. Nessa safra, foram feitas novas estufas e plantados os pés de uva precoce, do
tipo Isabel. Até o final de 2021, a propriedade terá cerca de mil pés plantados.
A estimativa para a atual safra é que a produção dobre, com cachos 50% maiores do que a temporada passada, chegando a cerca de 10 mil quilos. Quem quiser comprar as uvas, que são orgânicas, pode ligar no telefone (55) 9.9652-7731, falar com Graciele, ou (55) 9.9988-9366, com Nei. O valor de comercialização das uvas é de R$ 5,00 kg soltas, compradas direto na propriedade.

A cultura no Estado

As primeiras videiras chegaram ao Rio Grande do Sul em 1962, trazida pelo jesuíta Roque Gonzáles que plantou videiras europeias em São Nicolau, nos Sete Povos das Missões, de acordo com Associação Brasileira de Enologia (ABE).
A partir de 1875 desponta o grande surto do crescimento da vitivinicultura gaúcha, graças á chegada da colonização italiana, pois os italianos traziam na bagagem, além das cepas de uva, o hábito do consumo do vinho como um alimento, e o ainda chamado espírito
vitivinícola.
O Rio Grande do Sul é o estado que mais produz uvas, contribuindo com 90% da produção de vinhos do Brasil.
Dificuldades: Por meio dos relatos em nossas visitas, percebe-se que os produtores de uva sentem a falta de um técnico local especializado na área para auxiliá-los. Outra dificuldade encontrada é a concorrência que vem de fora e a diferença da tecnologia usada nas regiões da Serra, sendo que os produtores locais não conseguem oferecer um preço melhor de- vido aos custos para produzir.

Destaque na região

Nossa redação realizou um levantamento do cultivo da uva nos 12 municípios da região da Amuplan, comparando a quantidade produzida com a área colhida, junto ao site do IBGE, com base no ano de 2019. Augusto Pestana é o maior com área colhida em hectares, porém é o terceiro na quantidade produzida. Isso reforça o que constatamos junto aos produtores, a falta de um técnico especializado e a diferença de tecnologias aplicadas aos parreirais.

 

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