Super Mãe: Uma história de amor e dedicação

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O Dia das Mães é uma data comemorativa, de origem grega, em homenagem a mãe e a maternidade. No Brasil, esta data especial é comemorada sempre no segundo domingo de maio.
Aproveitando o dia das mães, comemorado no último dia 10 de maio, o jornal Correio Regional entrevistou Elíria Huth dos Reis, mãe de um filho especial, e que agora contamos a vocês esta linda história de
amor, dedicação e carinho de um laço maternal.
Uma mãe especial
Elíria, natural de Rincão Seco, interior de Augusto Pestana, é a filha mais velha entre 5 irmãos. Hoje, aos 72 anos de idade, ela sente-se realizada por tudo o que construiu, uma história que é dividida entre
o amor pelos filhos que “criou” durante esses anos.
Aos 16 anos de idade, Elíria já era casada com Lindolfo Garcia dos Reis e teve seu primeiro e único filho, Elson Romeu Huth dos Reis, carinhosamente chamado por Neco.
Elson nasceu saudável, de uma gestação e um parto normal. Ele tornou-se especial devido a um acidente aos 7 meses de vida, quando em decorrência de uma queda formou-se um coágulo na cabeça.
Devido aos poucos recursos da medicina na época, a família demorou a achar o hematoma que havia ocasionado em razão do acidente, o que segundo a mãe, poderia ter evitado que Neco ficasse com sequelas.
A família soube que a queda tinha sido algo mais grave quando Elíria percebeu que seu filho não conseguia mais se firmar, não tinha mais o movimento dos braços e das pernas. Em busca de ajuda, os pais
recorreram a consultas particulares, na esperança de curar a criança.
Após o primeiro diagnóstico mais preciso, a única solução seria realizar um procedimento cirúrgico, porém a garantia de que
Neco pudesse sair com vida era mínima e nessa hora o amor de mãe falou mais alto, como comenta Elíria.
“Ficamos um mês em Porto Alegre, mas não resolvemos nada. O doutor queria fazer uma cirurgia, nós ficamos com medo de fazer, porque ele não garantia. Ele disse ‘pode morrer como pode viver’. A gente queria muito bem ele, daí resolvemos vir embora e fazer o tratamento aqui”.
O choque de realidade de que o pequeno Neco não seria uma criança “normal”, mas sim especial, veio poucos dias depois da queda. Naquela época, Neco começava a “engatinhar” e os pais ainda não aceitavam a realidade, indo em todos os lugares que falavam que podiam recuperar seu filho.
Devido aos custos e a distância para buscar o tratamento para Neco, os pais começaram a se conscientizar de que teria
que encarar uma nova realidade e começaram a aceitá-lo do jeito que ele era. “A gente foi aceitando como ele era. Quando a gente aceita, as coisas se tornam mais fáceis. Nós sempre fomos de ter muita fé e rezar para Deus ajudar, e realmente eu acho que a gente deu a volta
pela fé que nós tínhamos” disse Elíria.

 

Neco e Loiva

Filha do coração
Com o passar do tempo Elíria tentou engravidar, porém quis o destino que ela não tivesse mais um filho de sangue e sim filhos de coração.
Depois de ter passado o choque do acidente de Elson, Elíria “adotou” sua sobrinha Loiva, a qual considera como uma filha de sangue, do mesmo modo que ela é considerada como mãe.
A pequena Loiva então ajudou na criação de Neco até os seus 23 anos, quando então casou-se e foi morar separada da família.

Apae
Elíria é formada em magistério e lecionou em várias escolas do município de Augusto Pestana, porém ela sentia a necessidade de
ter uma escola dedicada a alunos especiais, assim como era o Neco.
“Eu sempre tinha essa necessidade de fundar uma APAE porque eu sentia a necessidade que o meu filho tinha, outras crianças também precisavam. Eu acho que nossa APAE existe por nós ter o Elson, se não ela não existiria. Se nós não tivéssemos um filho especial, eu acho que nós não teríamos fundado a APAE” relembra a mãe.
Antes de existir a escola da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Neco viva em um isolamento da sociedade
devido ao grande preconceito enfrentado naquela época. Por conta de estar sem contato com outras pessoas, Neco começou a ter alguns comportamentos agressivos.
A Associação de Pais e Amigos Excepcionais (APAE) foi fundada em 21 de agosto de 1985, apenas com a vontade de Elíria e a solidariedade da comunidade Pestanense que esteve ajudando, dando recursos e suporte para que a escola se tornasse realidade, além do apoio de diversas autoridades políticas.

A então mãe e professora, Elíria, agora ganha outra
ocupação, a de diretora da APAE. Após essa nova função,
ela buscou se aperfeiçoar, realizando cursos para comandar
a instituição.
A APAE, atualmente, possui uma estrutura com grande
área, dando conforto e oferecendo um vasto espaço para
seus alunos. Elíria, que esteve à frente da instituição por 34
anos, diz que a escola ajudou muito na recuperação do seu
filho, e por isso guarda com carinho em seu coração.
“No que ele (Neco) começou a se integrar com o grupo, a
sair, tornou-se uma criança tão querida. Ser mãe de um filho
especial é o que me manteve na frente da instituição todos
esses anos, e não só ele como todos os outros. A gente se
apega muito a essas crianças. Parece que todos eles fazem
parte da minha vida”.
Olhando o passado, Elíria não tem mágoas, apenas fica
sentida com o sonho não realizado, o de construir um lar
para deficientes, devido aos custos de manutenção.

Nova fase
Agora, afastada da diretoria da APAE, Elíria pode dar 100% da sua atenção ao filho Neco, algo que era impossível durante o período que comandou a APAE, deixando muitas vezes o filho e o marido de lado para realizar atividades da instituição.
“Eu nunca me neguei a nada na escola. Se eu tinha que sair viajar, se eu tinha que ir num encontro, se tinha que viajar para assinar convênios, eu nunca me pesei. Eu sempre estava pronta, nem se muitas vezes minha família não estava em condições de ficar sozinha, eu ia igual. Eu seguia o meu caminho porque eu fundei a APAE e quero que ela vá para frente. Quero deixar aqui o meu muito obrigada a todos os presidentes desta instituição e ao meu marido, que sempre esteve ao meu lado, meu braço direito”.
Nesse período de atenção dividida entre a família e a APAE, seu marido sempre estava lhe apoiando e tomava conta do Neco, enquanto a mãe Elíria estava fora.
Com todas as idas e vindas, durante esses 55 anos depois do nascimento de Neco, quis o destino dar outro susto na família. O agora então homem e não mais menino, Elson sofreu um AVC e passou por um processo cirúrgico.
Agora nessa nova fase, Elíria “voltou a ser mãe”, tendo que ensinar Elson novamente tudo o que ele já sabia, desde andar e comer. Ela diz que o pique que tinha quando era nova, é o mesmo que tem hoje para cuidar do seu filho.
Assim como Elíria e Elson, existem muitas mães que enfrentam diversas dificuldades para criar seus filhos. E para marcar essa data especial, deixamos nossa singela homenagem a todas as mães.
Feliz Dia das Mães!

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