Feliz Dia do Trabalho para quem não faz feriado

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Na dia 1º de maio, comemora-se o Dia do Trabalhador. Para marcar esse dia especial, nós, do jornal Correio Regional, escolhemos uma profissão que não tem feriado e que é uns dos setores que sustenta a economia de Augusto Pestana e de muitos outros municípios da região.
A atividade leiteira sustenta muitas famílias no interior do município pestanense, como é o caso da Agropecuária Gehrcke, de Ederson, Ângela, Jaíne e Núbia Gehrcke, onde todos da “casa” ajudam a cuidar e tirar leite das vacas.
O cantar do galo
A rotina de quem trabalha no campo, na maioria das vezes, é regrada pelo “relógio” da natureza. Na atividade leiteira, quem dita a hora da alimentação e da ordenha são as próprias vacas, pois se algo sair do “compasso”, a produção do dia seguinte já apresenta uma diminuição.
Às 5h 15 min começa o dia na propriedade dos Gehrcke, Ederson e Ângela são os primeiros a acordar, enquanto ele arruma a sala de
ordenha, sua esposa vai buscar os animais na pastagem.
Antes de iniciar a primeira ordenha, Ângela prepara um chimarrão que é outro companheiro indispensável na hora da “lida”. Enquanto o casal realiza a ordenha das vacas, aproveitam para planejar as atividades do dia.
Para auxiliar com os outros animais que estão na propriedade, o casal conta com as duas filhas, Jaíne, de 15 anos, e Núbia, de 12 anos.
Enquanto seus pais estão na sala de ordenha, as irmãs vão realizando outras atividades, como tratar os terneiros, porcos e ovelhas.
O primeiro ciclo na rotina da família encerra-se após a ordena da última vaca, do trato de todos os animais e da limpeza das instalações.
De pai para filhas

A Agropecuária Gehrcke atualmente conta só com mão de obra familiar para cuidar das 45 vacas, mais ovelhas, porcos e terneiros. As filhas do casal já pensam em serem as sucessoras da propriedade, algo que nos dias de hoje raramente acontece com as famílias no
interior.
“A ideia delas é tocar a propriedade. A gente cobra bastante para
elas estudarem, mas elas querem ser nossas sucessoras. Hoje
é muito difícil uma criança querer ficar no interior. Elas gostam do que fazem, pegaram o gosto pela profissão, e elas querem ficar”, comenta o pai.
Esse amor pela profissão dos seus pais vem do convívio desde pequenas, além das participações em feiras do setor leiteiro, que muito colaboraram para que as filhas tomassem a decisão.
O incentivo, ou melhor, a falta dele, é visto pela família como algo que pode manter ou não os jovens no campo, seja na bacia leiteira ou na lavoura.
“As minhas filhas sempre participavam de feiras. Acho que foi isso que ajudou elas a ‘pegar’ gosto pela profissão. A Jaíne com menos de três anos já puxava as terneiras. E a Núbia quando era nova já tinha mais medo”, comenta a mãe.

Estiagem

Outro fator que pesa na hora de decidir em ficar no meio rural e dar seguimento na atividade familiar ou sair e buscar um emprego fora do setor, são as dificuldades que a produção leiteira apresenta, como não ter feriado, e os fatores climáticos.
Nesse início de 2020, a seca que atinge o Rio Grande do Sul afetou muitos produtores de grãos, mas o reflexo na bacia leiteira também é visível. A família Gehrcke teve que vender parte dos seus animais para cobrir custos da propriedade.
“Nessa situação de estiagem, nós não temos, praticamente, nenhum apoio. O pessoal vai desanimando e quem não gosta acaba desistindo, ficando apenas quem tem amor à profissão.Muitas vezes é inviável, não tem como continuar. Até no nosso caso, baixou cerca de 50% a produção de leite, então, fica difícil”, disse Ederson.
A estiagem reduziu a produção diária. As 42 vacas Jersey, que estão aptas para ordenha, produzem uma média de 750 litros de leite por dia.

Sistema Silvipastoril


Mesmo com o atual cenário da seca e do coronavírus, a família se mantém otimista em relação ao futuro. O momento de “confinamento” serviu para se repensar sobre os valores éticos, conceitos de vida e uniu ainda mais a família. Hoje a propriedade passa por uma “transformação”, se adequando para a família continuar fazendo o que gosta.
“Nós fizemos o que gostamos. Não podemos se queixar. A gente não vai só falar mal da profissão, como alguns fazem. A gente está se conscientizando de que nós não queremos muito, nós queremos uma vida boa para nós, para as gurias. Nós não sonhamos muito alto, em aumentar a produção, nós queremos uma qualidade de vida”, destaca Ederson.
Pensando no futuro, a família está implantando um projeto piloto no município que é o Sistema Silvipastoril (SSP), o qual foi pesquisado e implantando pelo próprio agricultor, sem assistência de nenhuma entidade.
O sistema, que é a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área ao mesmo tempo e manejados de forma integrada, se encaixa na proposta de produção que inclui, em seus conceitos referenciais, os principais elementos da sustentabilidade, ou seja, o econômico, o social e o ambiental.
“A gente não tem ambição de crescer muito. Nós queremos tornar a propriedade sustentável, menos mão de obra e mais produção. Hoje o que conta na propriedade do interior é reduzir custos” frisa Ederson.

“Tudo que é feito com carinho, tudo o que você fizer, tem que ser feito
com gosto. Se não é feito com carinho, as dificuldades surgem mais.
Se tu fizer com carinho se torna mais fácil. Próximo ao dia das mães,
eu gostaria de mencionar a participação da mulher, principalmente na
parte da agricultura, onde elas acordam cedo, acompanham os
homens, em todas as etapas do dia e ainda fazem as tarefas da casa.
E toda a propriedade que tem o apoio da mulher, eu acho, que ela tem
mais sucesso, assim como na cidade. Eu gostaria de desejar um feliz
Dia das Mães a todas as mães da cidade e do interior, e parabenizar
elas pelo trabalho delas na sociedade” – Ederson Gehrcke.

A Agropecuária Gehrcke é um dos exemplos de como uma propriedade do interior pode ser autossustentável, trazendo
um projeto de um sistema que busca integrar todos os
espaços, aliando um melhor manejo, assim como melhorar
gradativamente a qualidade e volume do leite produzido.

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