“Queremos nossa soja”

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No último dia 4, cerca de 30 agricultores que possuem créditos com a
Precisão Agro Comércio e Representações Ltda, estiveram reunidos no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Augusto Pestana para discutir sobre os grãos de soja retidos pela empresa, dos quais muitos não foram pagos.
A Precisão Agro, que entrou com pedido de Recuperação Judicial em 01/10/2018, com dívida superior a 36 milhões de reais, até o momento não fez nenhuma manifestação oficial de como irá proceder diante do processo.
Se passou 1 ano e quatro meses e os agricultores não tem nenhuma resposta concreta.Durante a reunião, muitos expuseram sua situação e cogitaram pedir a prisão dos sócios da empresa.
Alguns produtores já registraram ocorrência policial contra a Precisão Agro, alegando que a mesma enviou maquinários até as propriedades
para carregar os grãos de soja e posteriormente seriam feitos os pagamentos, algo que ainda não ocorreu.
O escritório Brizola e Japur, responsável pela administração judicial, manifestou preocupação com o rumo do processo de recuperação judicial, tendo em vista a paralisação das atividades da empresa.
Informou que o processo está concluso para despacho pelo Juiz da Comarca de Augusto Pestana, Tomás Silveira Martins Hartmann, que deve assumir no próximo dia 15 de março.
Dependendo da decisão do magistrado, é possível que a recuperação judicial se transforme em uma falência, e os agricultores não querem ser os últimos da lista a receber, o que é normal nesses tipos de
processos jurídicos.
Conforme a Lei 11.101, artigo 83, basicamente, a classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: trabalhistas, ME/EPP, Garantias Real, e enfim, os agricultores, que seriam os credores
quirografários.
O grupo pretende apresentar ao Juiz algumas propostas nas próximas semanas. Caso não for possível conversar com o magistrado, os mesmos cogitam em realizar uma manifestação em frente ao
Fórum local. Para realizar o ato de protesto, os agricultores irão pedir apoio junto ao Poder Público, comércio local, Entidades e escolas, para somar força à categoria. Todo processo deve acontecer de
maneira tranquila, pois os agricultores só querem respostas às dúvidas.
Esse embate entre produtores e Precisão está tornando-se um processo turbulento e demorado, devido à falta de interesse dos sócios da empresa, que depois de fecharem as portas da noite para o dia, não mostraram mais a “cara” para discutir o assunto.
“O que me revolta é ver ele [se referindo a um dos sócios] caminhando tranquilamente na rua como se não houvesse nada, como se não devesse pra ninguém, na maior ‘cara de pau’. Se pelo menos explicassem alguma coisa, mas não. Agora estamos aqui tentando recuperar nossa soja”, argumenta um dos agricultores.

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