Um alemão produtor de vinho

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O estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor de Uvas do Brasil. A principal região produtora é a Serra Gaúcha, onde a viticultura é desenvolvida em pequenas propriedades, que usam em torno de 40% a 60% da área para produção.
Na região noroeste, o plantio vem aumentando ano a ano. Em Augusto Pestana, na localidade de Arroio Bonito, a família de Elemar Kich planta a uva há mais de 40 anos, mudas que vieram de sua família e que foram passando de geração para geração. Um detalhe importante é que Elemar vem de família alemã e não italiana como a maior parte dos produtores de uva. “Minha família é de origem alemã e a produção de videiras veio do meu avô por parte da minha mãe, ali do Rosário, da família Krombauer”, ressalta o produtor.
A família da Claudete é de origem italiana, Pizzetta, mas a produção de uva era apenas para consumo, também na localidade de Rosário. A produção maior veio depois com o casamento de Claudete e Elemar, que se iniciou por hobby e cresceu virando produto de comércio nos últimos quinze anos. “A uva precisa de cuidado o ano todo, precisa de poda, tratamento, limpeza. Eu mesmo sempre faço tudo, prefiro que seja do meu jeito e me sinto realizado com a produção de uva. Antes era só pra vinho, nosso consumo, mas o pessoal foi gostando e querendo também a uva, e ano após ano fui aumentando minha produção”, acrescenta Elemar. “Nós tínhamos um parreiral no outro lado da casa, lá nós colhíamos mais de mil quilos e fazíamos vinho, ” lembra Claudete.
A família Kich divide seu tempo entre a lavoura de soja e o parreiral, que em anos anteriores chegou a produzir mais de 8 mil quilos de uva. “Ano passado deu só seis mil quilos, e nesse ano, acho que vai alcançar só cinco mil. Esses venenos atrapalham a produção, as folhas murcham e o parreiral produz menos. Se continuar assim, daqui há alguns anos não vou ter mais uva, vai se terminar. ” Indignado comenta o produtor.
O veneno mais prejudicial para uma plantação, como o exemplo, a videira, é o 2,4-D. Muitas vezes, o produtor aplica o produto de forma errada ou no dia errado e acarreta em prejuízos em outras plantações. Em Augusto Pestana, ações judiciais estão em tramitação por causa da aplicação malfeita e por ter causado grandes prejuízos em outras plantações.
O 2,4-D foi um herbicida produzido no período da segunda Guerra Mundial, sendo usado também como arma química na guerra do Vietnã pelos Estados Unidos, era misturado com outro agente e aplicado para desfolhar as árvores das florestas e os exércitos americanos encontrarem seus inimigos, época que foi chamado de Agente laranja.
Claudete lamenta o uso de forma errada do produto, “não conseguimos produzir nem o melão, nem o pêssego, então, nem se fala, não produz nada”.
O amor pela produção de uva faz Elemar produzir um ótimo vinho, e o mais importante, sem qualquer mistura. “Tomamos uma taça de vinho todos os dias”, acrescenta Claudete.
Na propriedade, a família planta duas variedades, a Uva Borbô e a Uva Niágara. Além da venda, uma parte da produção é destinada para suco e chimia, porém só para o consumo. As uvas deste ano já estão todas vendidas, comemora o agricultor no fim da nossa entrevista. “Temos aqui plantados 1000 pés de videira, isso me realiza, estou muito feliz com minhas uvas”, finaliza.

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